Posted October 31st 2016 at 1:22 pm by
in PAR, Participatory Action Research, Thesis Chronicles

A pesquisa-ação participativa pode apoiar a imaginação de novas possibilidades?

This article available in English here.

Este artículo é o terceiro numa série de quatro, baseado na tese de mestrado de Jenna Harvey, “Deepening Democratic Capacity Through Collective Inquiry.”

PalmasLab team reviewing survey results
Luiz apresentando ao grupo de consultores comunitários

O que é preciso para as pessoas sonhar para algo diferente, para o seu benefício e para o benefício da sua comunidade? O que possibilita que elas reconheçam sua capacidade de atuar como agentes de cambio, e realizar esses câmbios? Essas perguntas foram tecidas dentro das primeiras duas fases da pesquisa no PalmasLab. Conversamos, discutimos, e aprendemos sobe essas perguntas através de grupos focais, o questionários, análise colaborativa, e reflexão. Nesse processo, o PalmasLab e os Consultores Comunitários (os jovens participando num curso de ativismo local no Palmas) concordaram que realizar sua agência para realizar câmbios requere uma capacidade de quebrar preconceitos negativos sobre a comunidade e a periferia, de pensar criticamente sobre as causas dos problemas que enfrentam, e de pensar além de soluções simples.

Por exemplo, na sua reflexão sobre ideais para o futuro do projeto de pesquisa, Luiz, quem trabalha no PalmasLab, falou sobre o potencial que a pesquisa tem para aprofundar entendimento sobre assuntos sobre o crime e a violência, numa maneira que permitiria que as pessoas pensem mais além de narrativas convencionais para considerar causas estruturais. Ele explicou, “Eu não sei se da para mudar uma pessoa deste jeito, as pessoas tem suas próprias ideais, mas que elas possam ver que esta errado, tem um motivo para isso estar acontecendo, não é porque todo adolescente que rouba não presta, não presta, tem que morrer, que a policia tem que bater, que tem que prender, elas não conseguem prestar atenção para ver que esse esta se-repetindo muito, é um padrão, para adolescentes na cidade isso está sempre acontecendo, e porque? Porque está acontecendo? Qual é a raiz do problema? As pessoas querem soluções imediatas, eu também quero claro, mas que não maltratam outros seres humanos…tem que ir à raiz do problema y mudar ela.”

Luiz, PalmasLab team member speaks to group
Consultores comunitários revisando os resultados da pesquisa

Além de contestar preconceitos sobre problemas na periferia, o equipe queria usar a pesquisa para contestar pensamento convencional sobre a economia. Desde o começo do processo eles estavam interessados em desconstruir e problematizar a noção de “pobreza.” Através da pesquisa queriam apresentar uma imagem multidimensional de riqueza e pobreza no Conjunto Palmeiras. Nessa linha, pretendiam elevar e fazer visível as riquezas e pobrezas imateriais para pessoas dentro e fora do bairro.

Mateus, que faz parte do equipe do PalmasLab comentou, “Seria um sonho quase que impossível se um projeto como esse virasse um marco, que a galera parar de pensar simplesmente no econômico, começa a pensar no social, que a galera para de crescer pedir dinheiro, dinheiro, dinheiro, dinheiro e não se importa inclusão com a comunidade em geral. Muito difícil isso acontecer. Mas custa nada pensar que isso pode acontecer. Que o governo olha para cá com outros olhos, não só como periferia violenta em que todo mundo é drogado, viciado. Olha para cá e ver o que tem de bem, que ele traga lazer, que ele traga melhor qualidade de estrutura nas escolas, traga mais políticas públicas para cá.”

A motivação de desconstruir entendimentos convencionais de pobreza também foi influenciada pela crença do Instituto Banco Palmas que modelos e conceitos alternativos de produção econômica são possíveis, e que comunidades como Conjunto Palmeiras podem ser arquitetos dessas alternativas.

Como explicou Erberson, “O que eu gostaria muito que acontecesse é que como o modelo tradicional de economia tem suas definições para riqueza, pobreza, essas coisas do tipo, nós pudéssemos assim, então também, fazer uma pesquisa, fazer uma teoria dos nos próprios âmbitos dizer assim, bem, nossos próprios significados. Nosso próprio dicionário. Porque eu acho muito difícil a gente querer sair do âmbito da economia principal, só que porém a gente tem como referencia o que eles dizem que é o certo, entendeu? Então acho que a gente poderia a partir disso tomar… sentar, sei lá, vamo definir o que é pobreza para gente da economia solidaria, vamo definir o que é riqueza, o que é desejo, o que é perspectiva? Eu gostaria que muito que isso acontecesse. A gente criasse não só um questionário, mas criar assim a nossa identidade mesmo, entendeu?”

PalmasLab consultores interviews neighborhood residents
Consultores comunitários entrevistando moradores do bairro 

As ações prioritárias definidas pelos Consultores – inclusive conectar com as pessoas nas suas casas, criar espaços para ser ouvidos, disseminar informação, e ensinar a historia da comunidade – junto com os sonhos e objetivos mencionados nesse articulo, mostram que o processo de pesquisa colaborativa forneceu um meio de pensar além de circunstancias passados e presentes para imaginar, coletivamente, câmbios futuros. Enquanto o equipe pretende criar impactos positivos na sua comunidade com os resultados da pesquisa, as aprendizagens, ideias, e objetivos gerados no processo já servem como uma denuncia forte do status quo.

Em imaginar novas possibilidades e ações como uma coletiva, PalmasLab, que começo exigindo o direito de definir os problemas que os afetam, agora exige o direito de auto-definir projetos e utopias futuros. Em criar o contexto em que outras pessoas da comunidade podem fazer o mesmo, eles estão realizando uma trajetória realmente democrática.

Lê o próximo artículo nessa série aqui.

Escrito por Jenna Harvey, fotos por Jenna e PalmasLab.

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