Posted October 24th 2016 at 1:17 pm by
in PAR, Participatory Action Research, Thesis Chronicles

O que aprendem os jovens pesquisadores do PalmasLab no processo de realizar seu “direito a pesquisa”?

This article is available in English here.

Este artículo é o segundo numa série de quatro, baseado na tese de mestrado de Jenna Harvey, “Deepening Democratic Capacity Through Collective Inquiry.” 

Então a gente discutindo, a gente desenvolveu esse outro questionário… a gente fez grupos focais, a gente conversou entre a gente, porque somos moradores do Conjunto Palmeiras e a gente conhece nossos problemas. Essa é a ideia do PalmasLab, PalmasLab trabalha muito com a filosofia de trabalhar de baixo para encima. Então a gente fez varias rodas de conversa com as lideranças locais, pessoas que conhecem e lutaram para resolver os problemas – lideranças, pessoas que batalharam pelo bairro desde o começo. Então a gente chegou a essas quatro palavras: riquezas, pobrezas, desejos e perspectivas que afeitam o ecossistema.
-Luiz Ribeiro, PalmasLab

PalmasLab team member Luiz introducing local youth researchers to PalmasLab’s research framework
Luiz apresentando o projeto de pesquisa a um grupo de jovens de Conjunto Palmeiras

Em janeiro de 2016, o equipe do PalmasLab enfocou em aplicar o questionário que eles criaram. Trabalharam com um grupo de jovens participantes de um curso de ativismo comunitário oferecido pelo Instituto Banco Palmas. O equipe os introduziu ao marco conceitual da pesquisa e os liderou no processo de aplicar os questionários. Aplicaram o questionário com mais de 200 famílias, e fizeram uma análise coletiva dos resultados iniciais. Trabalhei nesse processo como uma continuação do processo que eu e Alison Coffey, Asociada de Pesquisa no MIT CoLab, começamos 8 meses antes.

Consultores comunitários participant reading out wealths and poverties listed by the group
Um dos consultores comunitários lendo as perspectivas identificadas pelo grupo

Primeiro, fizemos uma atividade com os jovens participantes (conhecidos como os “Consultores Comunitários”) em que eles identificaram as riquezas e pobrezas do bairro, e também seus desejos e suas perspectivas. O conceito tinha ressonância com os Consultores, e eles ajudaram ao processo de revisar o questionário, contribuindo suas próprias experiências e perguntas sobre riquezas e pobrezas, especialmente na área de seguridade.

Consultores conducting community survey with Conjunto Palmeiras residents
Aplicando o questionário com uma moradora de Conjunto Palmeiras

Durante a aplicação do questionário, os Consultores ficaram surpresos com a disposição dos moradores de abrir suas casas e ser entrevistadas. Frequentemente, o questionário foi um ponto de entrada em conversas maiores sobre a comunidade. Todo dias depois de fazer pesquisa de campo, os consultores voltaram com um monte de informação sobre as experiencias, desejos e reclamações dos moradores, e também suas próprias reflexões sobre o processo de fazer a pesquisa. Através dessas conversas, nos demos conta que o processo de aplicar o questionário nos forneceu dois tipos de informação rica: os dados do questionário mesmo, e as reflexões e aprendizagens que gerados no processo. Trabalhamos a capturar os dois.

Reflection session with the consultores at PalmasLab
Sessão de reflexão com os consultores comunitários R

Nas suas reflexões sobre a experiência, muitos dos Consultores expressaram surpresa que em muitos casos eles tinham pensado que não tinham muito em comum com seus vizinhos, mas através da pesquisa descobriram que tinham as mesmas opiniões sobre assuntos comunitários. Por exemplo, muitos dos entrevistados indicaram que lazer e seguridade foram suas preocupações maiores. A maioria dos consultores identificaram as duas mesmas “pobrezas” como prioritários. Os Consultores também reconheceram o poder de historias pessoais – e compartiram as conversas especificas que os ensinaram algo novo, que os deram esperança ou raiva, ou que os fez pensar de um novo jeito sobre seus próprios preconceitos. Um dos Consultores explicou: “É importante conhecer a realidade de outras pessoas, você vê coisas que não esta acostumado a ver, serve para mudar ponto de vista.”

Consultores discussing survey results
Os consultores comunitários discutindo os resultados do questionário 

Numa sessão de análise colaborativa liderado pelo equipe PalmasLab, os Consultores interpretaram e debateram alguns dos resultados do questionário. Um dos assuntos que surgiu foi o fato de que a maioria dos moradores não expressaram ideias sobre o que eles fariam para responder aos desafios que identificaram no questionário. Enquanto a maioria dos respondentes disseram que acreditaram na capacidade coletivo de fazer câmbios, quando os Consultores perguntaram o que poderia ser sua contribuição individual, a maioria não respondeu, ou disseram que talvez fariam algo se poderiam juntar-se a um esforço já em andamento. Como Erberson, um membro do PalmasLab explicou, “O que você faria? As pessoas respondem, ‘si tivesse algum movimento, alguma ação, eu estaria junto, participaria.’ É difícil o primeiro passo, mas depois do primeiro passo as coisas são mais fluidas, as pessoas vão ver que algo está acontecendo. Até dar o primeiro passo é difícil, mas eu acho que a gente está chegando lá, a gente está quase lá, mas não demos o primeiro passo ainda. Eu acho que a pesquisa vai nos ajudar nesta parte.”

Collective analysis session with the consultores
Análise de dados 

Muitos dos consultores entenderam que o primeiro passo foi criar um espaço em que as pessoas sentiriam ouvidos. Para fazer isso, propuseram conectar com as pessoas nas suas casas, para tentar construir relações pessoais mais profundos. Tambem identificaram a disseminação de informação como prioridade, especialmente para responder as preocupações sobre seguridade. Uma das participantes disse que através dessa experiencia aprendeu sobre seus direitos para se defender contra abusos dos policiais: “O que eu fiz para mim para resolver esse problema? Foi informação, conhecimento, eu comecei me informar sobre meus direitos para poder me defender deles, quando façam coisas erradas… se eu não tivesse esse conhecimento teriam feito o que queriam.”

Finamente, como o equipe PalmasLab, os Consultores se sentiram que a historia rica de mobilização e luta do Conjunto Palmeiras representou uma fonte importante de identidade coletivo e orgulho. Com Luiz descreveu: “A identidade é uma das maiores riquezas. Quando todo mundo sentiu os mesmos dores, indignações, e orgulhos, conseguimos ser unidos no desenvolvimento no bairro.” Muitos dos Consultores sugeram que ensinar a historia do bairro nas escolas e outros espaços comunitários pode ser uma ação estratégico, pois esse entendimento poderia facilitar ação coletiva. Como outro participante explicou: “Acho que se as pessoas conhecessem a história, elas acordariam para se mover e lutar para melhorar o bairro como antes.”

Lê o próximo artículo nessa série aqui.

Escrito por Jenna Harvey, fotos por Jenna e PalmasLab.

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