Posted November 28th 2016 at 1:25 pm by
in PAR, Participatory Action Research, Thesis Chronicles

Pesquisa-ação participativa como teoria da prática para planejamento urbano

This article available in English here.

Este artículo é o último numa série de quatro, baseado na tese de mestrado de Jenna Harvey, “Deepening Democratic Capacity Through Collective Inquiry.”

Minha experiência com PalmasLab me fez pensar sobre a Pesquisa-Ação Participativa como processo com o potencial de construir e fortalecer a capacidade de ver circunstancias atuais como possíveis de cambiar, de pensar além delas, e de imaginar algo novo. Através do processo de pesquisa, PalmasLab utilizaram essa capacidade, e através de discussão, o questionário, análise e reflexão colaborativa, e liderar outros em fazer o mesmo.

PalmasLab team reviewing survey results

Os consultores comunitários revisando os resultados da pesquisa

Essa experiência expandiu a maneira em que penso sobre o “direito à pesquisa.” Esse direito é considerado crítico por permitir indivíduos aumentar seu conhecimento. É talvez ainda mais poderoso por fortalecer a capacidade de comunidade quebrar, o pensar além das barreiras criadas pelos preconceitos e desafios do presente, para imaginar algo diferente para o futuro. Nesse sentido, o direito à pesquisa pode ser entendido como o direito à imaginação. Isso pode ser um ponto de partida para o cambio e um ato político poderoso.

Expandir nossa capacidade de imaginar é crítico no momento atual em que muitas comunidades se sentem descontectadas da visão de “progresso” desenvolvido pelas pessoas em poder. Diálogo público é cada vez mais caraterizado pela divisão, e narrativas tóxicas influenciam a maneira em que as pessoas pensam sobre “o outro” e sobre o que é possível. Nesse contexto, profissões que pretender criar câmbios sociais – como Planejamento Urbano – devem adotar uma abordagem que junta comunidades para participar na criação de soluções, e também de imaginar, coletivamente, alternativas ao status quo. Para trabalhar numa visão de cambio que ressona com toda parte da sociedade, planejadores devem adotar uma ética na sua prática que democratiza o processo de definir como o cambio devem acontecer.

Muitas vezes os processos participativos em planejamento urbano são orientados ao simples consulto de comunidades ou à transferência de capacidade ou conhecimento dos expertos às comunidades – em vez de criar o contexto para engajar em dialogo e pesquisa sobre os assuntos que as comunidades enfrentam, e as causas estruturais desses problemas. Também as contribuições de comunidades marginalizadas são vistos como simplesmente pragmáticos, enquanto a poder de fazer decisões sobre planejamento ao largo tempo fica nas mãos dos “expertos.” Esse modelo convencional de planejamento participativo deve ser cambiado num model da co-criação de conhecimento.

Pesquisa-ação participativa como um ato politizado é sobre quem tem o direito de produzir conhecimento credível. Como uma abordagem que junta pesquisa, reflexão, e ação, tem o potencial de formar a base de esse novo modelo da prática. Entender pesquisa-ação participativa como somente uma abordagem alternativa à produção de conhecimento nas ciências sociais é limitante. Os valores e princípios de pesquisa-ação participativa devem ser central no planejamento, é não relegados às margens.

Para os planejadores, uma abordagem de pesquisa-ação participativa envolveria uma alta grau de flexibilidade, adaptabilidade e consciência. Por exemplo, através da minha participação no projeto com PalmasLab, aprendi da importância de facilitação em pesquisa-ação participativa. Facilitação que mantem suficientemente flexibilidade para que grupos comunitários possam preservar seu protagonismo no processo da co-criação de conhecimento, e ao mesmo tempo dar uma estrutura em que esse conhecimento pode ser desenvolvido, é fundamental. Essa abordagem na práctica de planejamento também requere o reconhecimento que profissões orientadas ao cambio social são explicitamente politizados, e os planejadores tem que aprende como fazer seu trabalho nesse área de uma forma reflexiva e crítica.

Na minha experiência como estudante em planejamento urbano, muitas vezes a prática reflexiva e a facilitação são marginalizadas e desvalorizadas em comparação com a habilidades mais “técnicas,” comercializáveis, e quantificáveis. Esse tipo de pedagogia produz profissionais que acreditam que possam saber as soluções antes de entender os problemas e as perguntas. Isso perpetua um ciclo opressivo e não-produtivo nos esforços de realizar cambio. Para quebrar esse ciclo, primeiro temos que desenvolver a capacidade crítica de reconhecer a maneira em que isso nos prende e limite. Apenas então podemos embarcar numa nova trajetória de planejamento que centra o conhecimento das pessoas mais próximos ao problema. 

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Escrito por Jenna Harvey, fotos por Jenna e PalmasLab.

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